quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Histórias de sucesso na Pastoral da Criança


 Histórias da Pastoral da Criança são feitas de pequenos gestos cotidianos

        Há trinta anos a Pastoral da Criança faz a diferença na vida de muita gente! As histórias da Pastoral da Criança são feitas de pequenos gestos cotidianos, de atenção permanente para o “prevenir” e “cuidar”, que geram grande impacto na vida de gestantes, crianças e famílias. Tudo parece tão simples em um primeiro olhar mais superficial, porém de grande importância quando se observa os resultados.
Quem diria que uma simples receita em que se mistura um pouco de sal, açúcar e água, passada de boca em boca, pudesse salvar tantas vidas. Isso sem contar a vigilância nutricional, a orientação para os sinais de risco na gestação, para o aleitamento materno, o alerta para vacinar, para dormir de barriga para cima, para lavar as mãos, a primeira dose imediata do antibiótico e ainda o incentivo para brincar.
A cada dia uma multidão de voluntários sobem ladeiras, enfrentam estradas, atravessam rios e matas para estar onde deles mais se necessitam. No diálogo com as famílias, no debate com os poderes públicos, os voluntários vão conquistando espaço e abrindo caminhos para que a vida possa acontecer.
Neste espaço vamos registrar as histórias de sucesso realizadas pela rede de voluntários nestes trinta anos. Coordenadores, capacitadores, líderes e demais voluntários estão convidados para contar suas histórias de sucesso sobre as ações básicas desenvolvidas pela Pastoral da Criança.

O que são as histórias de sucesso na Pastoral da Criança
    São histórias que mostram como uma ideia criativa (iniciativa) resolveu um problema e melhorou o trabalho da Pastoral da Criança, aumentou o número de crianças com vacina em dia, a amamentação exclusiva, as visitas de pré-natal, a participação da comunidade, o aumento no número de líderes e voluntários ou ainda ajudou no entendimento do trabalho da Pastoral da Criança junto às famílias e na comunidade.


Missão da Pastoral da Criança tem apoio de barqueiros para vencer as grandes distâncias na Amazônia Imprimir E-mail
    A Pastoral da Criança está presente em cerca de 4 mil municípios brasileiros, muitos deles em comunidades longínquas da Amazônia, como a cidade de Lábrea, banhada pelo rio Purus, afluente do Rio Amazonas. Manter contato com as comunidades (ramos) para que as informações (FABS) cheguem em Lábrea é um grande desafio, mas não para a dinâmica coordenadora de setor, Maria da Conceição da Silva.

Como em muitas outras comunidades acompanhadas pela Pastoral da Criança na Amazônia, o acesso aos ramos de São João Batista e Santa de Cássia, nos municípios Canutama e Tapauá, é feito exclusivamente por embarcações. Chegar a São João Batista, por exemplo, pode levar dois dias viajando de barco. Até Santa Rita é mais tempo: quatro dias navegando pelo caudaloso rio.
A coordenadora Maria da Conceição estabeleceu uma parceria com os “recreios” - assim são conhecidos os barcos que levam sete dias para chegar à capital Manaus. Ela se comunica com os “recreios”. Depois, por telefone, informa aos ramos o dia em que o “recreio” vai passar nas comunidades. Com isso, as coordenadoras preparam as prestações de contas de contas e as FABS( Folha de Acompanhamento e Avaliação Mensal das Ações Básicas de Saúde e Educação) das comunidades que serão entregues aos barqueiros e assim chegarão às mãos de Maria da Conceição, em Lábrea.
Nesta missão de salvar a vida das crianças, as dificuldades de acesso não são empecilhos para que a Pastoral da Criança, através da ação solidária de seus líderes, aconteça de forma eficiente na região. Até hoje, nenhuma coordenadora dos ramos atrasou o envio das FABS e das prestações de contas.
Os barqueiros que se encarregam pessoalmente pela correspondência se tornaram amigos, apoiadores da causa empreendida pela Pastoral da Criança. Realizam esta tarefa sem nada cobrar. Oferecem apoio no transporte do que for necessário para a Pastoral da Criança atender as famílias, gestantes e crianças das regiões ribeirinhas nas ações básicas de saúde, nutrição, educação e cidadania desenvolvidas por 188 líderes e mais 80 voluntários.
O gesto solidário dos barqueiros asseguram a presença, a ação e o fortalecimento da Pastoral da Criança na região amazônica. De acordo com os números fornecidos pelas FABS, a Pastoral da Criança acompanhou em 2012 no setor de Lábrea 1.834 famílias, 2.534 crianças menores de 6 anos e 66 gestantes.

Pai salva filhos da desnutrição e se torna líder da Pastoral da Criança
     O vigilante Silvá Geraldo Bispo, de 46 anos, tem três filhos, mas não é pai apenas em casa. Ele orienta outros pais e famílias na comunidade onde vive, em Montes Claros, no norte de Minas Gerais. Como líder da Pastoral da Criança, atua no conjunto Clarice Ataíde, comunidade com 187 crianças de até 6 anos acompanhadas pela entidade. Além disso, dirige uma associação comunitária que atende cerca de 100 crianças e adolescentes em situação de risco, para os quais, muitas vezes, assume a condição de pai.

Na cruzada contra a desnutrição e a mortalidade infantil, principal luta da Pastoral da Criança, ele visita regularmente as mães de cada uma das crianças cadastradas na comunidade. Com o livro “Guia do Líder” em mãos, confere o peso, verifica se o cartão de vacina está em dia e repassa as demais instruções para que as crianças tenham uma boa saúde. Quando vê alguma anormalidade, encaminha a criança para o posto de saúde ou hospital.
   Durante as visitas aborda temas como a amamentação e cuidados com a higiene: "Recomendo amamentar o bebê de duas em duas horas. Enquanto estiver amamentando a mãe deve estar atenta apenas à criança, olhando para os seus olhos. Assim, demonstra afeto e o bebê se sente mais confortável”, diz. O vigilante ainda orienta gestantes sobre cuidados durante a gravidez e faz também um trabalho com os companheiros das mulheres. "É importante que o pai fique atento ao período pós-parto, quando a mãe precisa de todo o apoio", afirma.
Silvá começou a atuar na Pastoral da Criança há 17 anos. Assumiu o trabalho por necessidade. O voluntário conta que na época morava no Bairro Santa Cecília - área de baixa renda de Montes Claros, quando o seu segundo filho nasceu prematuro e desnutrido. "No hospital falaram que o menino não tinha chance". E foi aí que procurou a Pastoral da Criança. "Como não havia nenhuma líder no Santa Cecília, iniciei o trabalho", explica.
   O filho Leonardo Silva Bispo foi salvo e hoje, aos 17 anos, é um jovem saudável, que também é voluntário na Pastoral da Criança. Pai e filho se emocionam ao recordar o início do relacionamento deles com a Pastoral da Criança. "Começei salvando o meu próprio filho. Vi que poderia ajudar outras famílias, então, fiz a capacitação para ser líder comunitário e aprendi a trabalhar com crianças. Sinto uma satisfação enorme em ajudar", diz. E aconselha: "Ser um bom pai é exercer o dom que Deus no concedeu. Tem que ser amigo, confidente e responsável".
A coordenadora da Pastoral da Criança em Montes Claros, Ana Martins Ferreira, diz que o trabalho de um pai como Silvá é raro: "A atuação como líder da Pastoral exige disponibilidade. Por isso, é mais difícil para os homens. Mas Silvá é um homem ativo, que realmente arruma tempo para se dedicar à comunidade", ressalta.
Fonte: Uai Online (Montes Claros, MG) – resumo